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Fazer música em Maceió só se for por amor: o “trocadilho” com a música do NSC nos faz refletir sobre a constante desvalorização dos artistas locais no município

Maceió é massa, mas não para os artistas

JHC durante anúncio da programação do Massayó Verão (Foto: Itawi Albuquerque/ Secom Maceió)

Dessica Menezes

Maceió é repleta de talentos e belezas, mas enfrenta um desafio significativo: a falta de investimento nos artistas locais. Enquanto a prefeitura disponibiliza R$ 8 milhões para a Beija-Flor de Nilópolis, escola de samba do Rio de Janeiro, os artistas da própria cidade se veem lutando para ter o que é direito da classe, devido à ausência de apoio do município e ao não cumprimento de leis já existentes.

O slogan vendido pela prefeitura tem sido “Maceió é massa”, mas as atitudes dos gestores não condizem com as notícias regularmente apresentadas na mídia. De um lado, o investimento em festividades como o “Massayó” traz cantores de renome nacional em palcos distribuídos pela cidade, mas ao mesmo tempo a inclusão dos artistas locais, que seguem tentando encontrar seu espaço, não é feita. Não é novidade que constantemente a prefeitura é criticada por esses artistas, na verdade, se tornou um cenário recorrente. Fica-se cada vez mais claro, através das manifestação nas mídias sociais, que parte da população se encontra bastante insatisfeita com a falta de visibilidade para o cenário musical da região.

A vereadora Teca Nelma, oposição à atual gestão e presença ativa no cenário cultural do município, criticou o descaso da prefeitura com os artistas locais e o impacto negativo que é causado na cultura da cidade. “É tremendo; primeiro gostaria de deixar bem claro que o que falta não é dinheiro, é um ponto muito importante, e o principal, quando a gente fala do investimento na cultura, sempre é colocada em último lugar, esquecendo que a cultura está incluída e também está atrelada na educação e na saúde, na economia criativa e local”, declarou.

Em contrapartida, a gestão municipal atrasa pagamentos de cachês de grupos culturais por mais de 6 meses. Foram gastos milionários para a Beija-flor desfilar a 2.076,8 km da capital alagoana e conquistar o 8º lugar na colocação. Como se por ironia do destino o número 8 fosse o número do azar da escola de samba carioca, tendo em vista que o valor destinado à escola (em milhões de reais) foi equivalente à sua colocação na disputa.

“O que falta é a cultura local ser considerada como prioridade. Um exemplo são os R$ 8 milhões fornecidos à Beija-flor, quando na cultura local não é pago um cachê de R$ 1.200,00 atrasado desde junho. Demonstrando assim, que a prioridade não é a cultura local, mas sim a cultura externa” afirma.

O bloco “No escurinho é mais gostoso”, responsável por atrair uma multidão de foliões para as ruas do Jaraguá, foi um dos blocos prejudicados no carnaval 2024. Em nota de esclarecimento publicada em seu canal oficial, o bloco anunciou que não estaria presente nas ruas da cidade.​

“Enquanto Luiza Sonza chora por Chico, Léo Santana fica posturado e calmo… os artistas locais e as manifestações culturais dos pequenos blocos de rua que ainda ocupam o Jaraguá vão amargando a tristeza de não conseguir desfilar suas fantasias esse ano e, consequentemente, as orquestras que tem o seu maior faturamento nessa época do ano, também sofrem com o descaso e supervalorização de uma cultura que não representa em nada o nosso povo”, ironizava a publicação.

 

​Enquanto algumas festividades são enaltecidas e contam até mesmo com a presença do atual prefeito JHC - que numa ocasião viajou à cidade do Rio de Janeiro para desfilar junto à Beija-flor, e em outra, aproveitou para dançar no palco do Massayó ao som de Léo Santana - outros momentos serviram apenas para ser postados nas mídias sociais da cidade “instagramável” e não contaram com a presença de quem mais deveria se preocupar com a cultura, gerando vários comentários negativos da população.​

Desrespeito à Lei Municipal​

 

De autoria do vereador Leonardo Dias, a Lei Nº 7.077 indica que: ao contratar artistas para apresentações e/ou manifestações culturais, deve-se obrigatoriamente utilizar, no mínimo, metade do valor com artistas locais. Porém, esse parece não ser o caso dos eventos no município de Maceió, tendo em vista o cenário atual, tal lei aparenta não ser respeitada. Conforme a referida legislação:​

 

Art. 1º Na contratação de artistas para apresentações e/ou manifestações culturais em eventos artísticos, culturais, musicais, exposições, shows e similares, em que seja empregado suporte, auxílio, apoio, financiamento, investimento financeiro ou subvenção social do Poder Público Municipal ou através dele, dever-se-á obrigatoriamente alocar, no mínimo, 50% (cinquenta por cento) da totalidade dos valores gastos diretamente com este fim, para contratação de artista (s) local (ais).​

 

A falta de aplicação gera transtornos e interfere severamente na ascensão da cultura popular local, demonstrando que o município não se interessa em enaltecer seus próprios artistas, mas continua a desrespeitá-los e “dar palco” apenas para artistas nacionais, em detrimento de apoiar a cultura local.

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Produto Editorial, desenvolvido na disciplina Oficina de Edição de Mídia Impressa e Digital

Universidade Federal de Alagoas

Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes

Curso de Jornalismo

Maceió, 2024

Jornalista responsável: Vitor Braga (MTE 1009-AL)

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