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Receitas que transcendem a cultura Alagoana

  • Foto do escritor: Glendha Melissa
    Glendha Melissa
  • 2 de abr. de 2024
  • 4 min de leitura

As potencialidades de Alagoas vão muito além de suas belas praias e paisagens deslumbrantes. A riqueza cultural do estado se manifesta em diversos aspectos, indo além da arte para abraçar também a culinária e a religiosidade como elementos essenciais dessa identidade. A culinária alagoana, com sua diversidade de sabores e influências, é um verdadeiro tesouro gastronômico que reflete a história e a miscigenação do povo alagoano. Desde os pratos à base de frutos do mar até as deliciosas iguarias regionais, como o sururu, a cocada e a tapioca, cada sabor conta uma história de tradição e amor pela boa comida.


Nas mesas dos alagoanos, não são apenas os pratos típicos que se destacam, mas também as comidas que carregam consigo um toque especial de afeto e história. Entre as diversas heranças gastronômicas que adornam a cozinha alagoana, podemos começar falando do Caldinho de Viçosa da Dona Paula de 59 anos, um caldo que alimenta a cultura e a tradição de gerações que vai das terras viçosenses até a nossa capital do estado. Nesse caminho podemos passar pela cidade de Capela, na Zona da Mata de Alagoas, que fica a 60 km de Maceió. Cortada pelo Rio Paraíba, tem apenas 17 mil habitantes. Nessa época do ano, o clima ameno atrai muita gente até a cidade atrás de uma comida deliciosa. É o tradicional Caldinho de Capela. O aperitivo foi reconhecido como Patrimônio Imaterial de Alagoas. Ele é vendido há quase cinco décadas em uma casa com arquitetura rústica na cidade.


As origens do caldinho e essa conexão trazem à tona a importância das culinárias dos pescadores locais, que aproveitavam os frutos do mar frescos disponíveis na região. Combinando ingredientes simples como peixe, camarão, caranguejo e temperos regionais, essa comida típica – além de contribuir com a arte da gastronomia alagoana – também se tornou também a forma de trabalho dessas pessoas e de muitas outras famílias, cada um com seu toque especial na receita. Uma vez pronto, o caldo é servido bem quente, acompanhado de ovo de codorna e outras opções de adicionais. O aroma tentador que se eleva do copinho onde é servido, é irresistível, preparando o paladar para a explosão de sabores que está por vir. Quem prova afirma que cada colherada é uma experiência sensorial única. A textura cremosa dos feijões vai de encontro com a firmeza das carnes, enquanto os temperos se combinam no caldinho. É uma experiência reconfortante que aquece o corpo e a alma, especialmente em dias frios ou após um dia cansativo.


Cocada cremosa

Na cidade de Maceió, a tradição culinária continua através das mãos de Maria Auxiliadora, uma empreendedora de 53 anos, nascida e criada na capital alagoana, que carrega consigo uma herança valiosa: a receita de Cocada Cremosa, transmitida ao longo dos anos e perpetuada pelas gerações. A história por trás de uma simples cocada, vem consigo a história de quando sua mãe fazia todo início de semana. Quando ainda era pequena, passava a semana rotineira levando como lanche para a escola. E hoje simplesmente para seus filhos, amigos e vizinhos, e não é apenas um doce é uma história que nunca vai cair no esquecimento, ficará pra sempre na memória e no paladar dos que provaram.

A cocada é uma verdadeira obra-prima. Feita com poucos ingredientes, - coco fresco, açúcar, leite condensado e um toque especial de amor - a cocada derrete na boca e quem experimenta se transporta para uma época em que os sabores simples eram os mais apreciados. Aqui na capital e no interior, a cocada é um doce que nos acompanha nos dias comuns, quando buscamos um pequeno prazer para adoçar os dias. É um doce que conquistou o coração dos alagoanos e também se tornou um símbolo de nossa cultura gastronômica, transmitido de mãe para filha, de avó para neto, mantendo viva a essência de nossa cozinha tradicional.


A cocada é mais do que um doce delicioso em Maceió; é também um negócio rentável e apreciado pelos moradores locais. Uma receita acessível e que gera retorno financeiro e satisfatório para os empreendedores da região. Os maceioenses adoram comprar um pedaço de cocada para saborear durante o dia, seja como um agrado pessoal ou como um presente para amigos e familiares.


Além disso, podemos também trazer a religiosidade juntamente da gastronomia presente no estado, é um dos pilares fundamentais da nossa cultura local, onde festas, rituais e manifestações populares enchem as ruas de devoção e fé. Seja nas festas em homenagem aos santos padroeiros das cidades, ou nas celebrações da cultura afro-brasileira, como o tradicional Candomblé, onde em festas é de costume servir mungunzá, doces e outras receitas; assim como a festa de Cosme e Damião onde os praticantes dão doces em um saquinho, alimentando e proporcionando as crianças e as pessoas, um momento de alegria. Traz assim essa prática de religiosidade urbana que se mostra como uma fonte inesgotável de inspiração e união comunitária.


Ao falarmos sobre os potenciais de Alagoas, é imprescindível portanto reconhecer o valor da cultura em suas mais diversas formas, pois é ela que enriquece a vida dos alagoanos e encanta aqueles que têm o privilégio de conhecer essa terra de encantos e tradições.


Glendha Melissa

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Produto Editorial, desenvolvido na disciplina Oficina de Edição de Mídia Impressa e Digital

Universidade Federal de Alagoas

Instituto de Ciências Humanas, Comunicação e Artes

Curso de Jornalismo

Maceió, 2024

Jornalista responsável: Vitor Braga (MTE 1009-AL)

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